Programas pré-coreografados garantem aumento de alunos e faturamento para academias da América Latina
Estima-se que 1 milhão de pessoas pratiquem BODYPUMP ao redor do mundo todos os dias. Por que tanta gente faz a mesma coisa em lugares diferentes? Porque o programa de atividade física pré-coreografada mais popular do planeta tem credibilidade. Desde os anos 80, quando foi lançado pela neozelandesa Les Mills, tem apresentado resultados satisfatórios aos praticantes. A indústria do fitness latina não está fora da febre pela malhação com grife. A Body Systems, dona dos direitos de representação para a América Latina, contabiliza 1.700 academias licenciadas no Brasil, 300 na Argentina, 80 no México, 50 no Chile e 30 na Venezuela. É o maior exponencial de um negócio extremamente lucrativo, que conta ainda com representantes internacionais, como Spinning, e nacionais, como a Fit.Pro, entre outros.
A padronização é um dos segredos do sucesso dos programas pré-coreografados. Para muitos, seguem o conceito das redes de fast food. O cliente sabe como será a atividade física, de que modo o professor deve se comportar e a qualidade dos resultados obtidos, independentemente do tamanho e localização da academia. A certificação passa imagem de confiabilidade. A mensalidade paga pelo direito de uso dos programas e da marca, na maioria das vezes, traz como bônus material de marketing e consultoria administrativa. A capacitação dos instrutores é custeada pelos próprios profissionais ou subsidiada, total ou parcialmente, pelo empregador. No final, transforma-se num círculo virtuoso, no qual o professor de educação física amplia horizontes e se valoriza como mão-de-obra ainda mais especializada, as academias crescem e geram mais receita e as empresas que comercializam e desenvolvem os programas aumentam sua área de atuação.
Para Paulo Akiau, diretor-executivo da Body Systems, a união faz a força. "É muito difícil conseguir, atuando sozinho no mercado, a mesma visibilidade que nós conseguimos unindo 1.700 academias no país (com cerca de 400 mil praticantes) e investindo pequenas fortunas em marketing. A idéia da rede é hoje amplamente difundida em vários segmentos, não somente no fitness", avalia. O fato de ser aplicado no mundo todo, é garantia de sucesso, segundo Akiau. "Ao entrar no sistema, as academias recebem um manual que ensina como usar os programas para aumentar as vendas e a retenção. Basicamente, trata-se de uma fórmula bem sucedida e comprovada no mundo todo, na qual as academias organizam eventos a cada três meses para relançar os programas, distribuindo convites para aulas gratuitas e preparando equipe de vendas e professores para a ação, pois os eventos são regados a emoção e amizade, fatores fundamentais para a decisão de matricular-se numa academia, ou nela permanecer. Todo o material necessário para isso é distribuído nos encontros trimestrais e através de nosso website."
Com esse respaldo internacional, os programas da empresa se tornam uma verdadeira necessidade para as academias da América Latina. "As pessoas acreditam no programa. Hoje, muitas academias possuem. Não é só questão de credibilidade. É questão de oferecer o que há de mais moderno, mesmo sendo pequeno", garante Carlos Alberto Nunes, sócio-proprietário da Praktika Academia e Via Olímpica, ambas em Campo Grande, Mato Grosso, no Brasil.
O empresário, que está no ramo há 17 anos com a Praktika, uma unidade com 1.000m, conta com os programas da Body Systems desde sua implantação. Há pouco mais de seis anos, surgiu na cidade a Via Olímpica, com 2.200m. Como o negócio não progredia, Carlos foi convidado a fazer uma fusão e sua entrada no empreendimento coincidiu com a implantação dos programas da Body Systems também na Via Olímpica. "Mudamos a vida da academia. Para você ter uma idéia, a primeira aula de BODYCOMBAT tinha sete alunos. Na quarta, havia mais de 30", recorda.
Adrian Neme, diretor da Sport Club da Argentina, rede com 14 unidades e mais de 25 mil membros, conta com todos os programas da Body Systems. De acordo com o empresário, os resultados começaram a aparecer após três meses. A implantação dos programas ocorreu com o objetivo de controlar melhor o rendimento das aulas de grupo. "Os benefícios passam desde a maximização do rendimento das aulas de grupo, com salas mais cheias durante mais tempo, até professores sempre capacitados, atualizados e motivados."
Para se ter uma idéia da força comercial dessas atividades, a Better Life Health Club, da Argentina, contabiliza um aumento de 150% na participação das aulas após dois anos de implantação dos programas. "Os clientes procuram pelos programas. Hoje, mais de 60% dos nossos alunos praticam uma das atividades", comenta Daniel Soutullo, gerente da unidade.
Em função do apelo e resultados, pode-se imaginar que os programas pré-coreografados se encaixem apenas em grandes redes. Pelo contrário. Até mesmo pela configuração do mercado latino, a maioria das academias é de pequeno ou médio porte. "Hoje, 95% do mercado brasileiro é composto por esse perfil de academias, e essa porcentagem se repete entre os 1.700 licenciados da Body Systems. Muitos de nossos clientes tem menos de 300 alunos", atesta Akiau. A mensalidade para a aquisição do direito aos programas varia entre R$ 350,00 e R$ 770,00 (aproximadamente US$ 115 e US$ 250), dependendo do número de atividades (são seis: BODYS: PUMP, COMBAT, ATTACK, JAM, BALANCE e STEP, mais o RPM e o recém-lançado POWER POOL, que por não ser da Les Mills tem contrato separado, com valor entre R$ 220,00 e R$ 290,00 (aproximadamente US$ 70 e US$ 100).
Exemplos não faltam. Heloísa Cabral Faraco Beckhaufer, proprietária da Podium Academia, instalada em Sombrio, Santa Catarina, possuía um efetivo de 250 membros. Dois anos após a implantação dos programas, conta com um quadro médio de 500 alunos. "Uma das grandes vantagens dos programas, além do excelente marketing, foi colocar um 'certificado' de garantia no nosso nome. São três coisas que passamos a incorporar com a vinda da Body Systems: segurança, eficácia e motivação", explica.
No México, onde a Body Systems começa a atuar, os resultados já são expressivos. "Nós estamos muito contentes com o sistema. Por exemplo, as pessoas que fazem as aulas de BODYPUMP são umas 15 por aula, o que é bastante bom porque não somos uma academia grande. Dessa forma, esperamos que nos próximos meses as salas recebam umas 20 pessoas", comenta Gabriela Martínez, gerente do Club Tem.
Cláudia Zenedin Ceravolo, dona da Academia Espaço Físico de Londrina, Paraná, Brasil, lembra da importância de contar com o respaldo de uma grande empresa quando se está começando o negócio ou implantando uma nova unidade. "A Body Systems já tem um nome de respeito. Tinha uma academia em Apucarana (interior do Paraná) e resolvi abrir essa unidade em Londrina. É muito complicado você chegar a uma cidade onde as pessoas não te conhecem. Elas não te dão credibilidade. Dessa forma, possuir os programas auxiliou muito. A desconfiança que poderia haver sobre a qualidade do meu trabalho acabou sendo substituída pela qualidade dos produtos da Body Systems. Para você ter uma idéia, o retorno foi imediato e consegui alcançar o meu ponto de equilíbrio financeiro muito rápido."
Com aproximadamente 1.200 alunos, a Academia Cheik Club de Manaus, Amazonas, é um exemplo de que os programas cativam os freqüentadores. "Mais de 75% dos nossos clientes fazem as aulas da Body Systems. Temos dois grandes salões (180m e 150m) que funcionam ao mesmo tempo com média de 50 alunos em cada. Chegamos a ter até 80 alunos em um período de aula", conta Raidi Rebello, proprietário da academia.
A Fit.Pro é especializada na elaboração de programas para academias. Em atividade desde 2001 e capitaniada por Cida Conti, verdadeiro ícone do fitness nacional, a empresa segue em expansão no Brasil e estuda parcerias na América Latina. Atuando inicialmente com dois programas pré-coreografados (JUMP FIT e JUMP FIT CIRCUIT), acaba de lançar o FLEXI-BAR. "As aulas coletivas são extremamente lucrativas para as academias, já que o custo de implantação é muito baixo se compararmos ao investimento feito na compra de aparelhos de musculação, esteiras e outros. Comprovadamente, o sucesso de uma aula coletiva depende da somatória de um bom professor com uma boa proposta que traga resultados aos alunos. As academias passaram a ter grandes resultados com o número de alunos nos horários mais fracos do período da manhã e da tarde, normalmente vazios antes de nossos programas. Quanto mais otimizada a ocupação do espaço físico das salas de aula, maior a rentabilidade", avalia Cida.
Maria Cristina Cardoso, proprietária da academia Movimento, da cidade de Marília, interior de São Paulo, faz parte do grupo de empresários que apostaram nesse tipo de atividade e hoje colhe os frutos. "Resolvi apelar para a novidade. Com a aula já montada, era mais fácil para o professor. Tivemos um efeito instantâneo. O número dos nossos alunos quase dobrou. Mais da metade dos freqüentadores da academia utilizam os programas, tanto da Body Systems, como os da Fit.Pro. O JUMP FIT tem sido um tremendo sucesso. Só não tenho mais alunos nas aulas porque não tenho mais espaço."
Com o FLEXI-BAR (uma barra oscilante e vibratória que proporciona benefício para o equilíbrio e postura), Cida Conti aponta para uma nova direção. "Estaremos ingressando num novo nicho de mercado, que oferecerá também 'programas orientados', permitindo que o cliente tenha maior flexibilidade no uso e faça a adesão ao sistema respectivo, de acordo com suas necessidades, prioridades e condições financeiras. Continuaremos com nossos programas pré-coreografados atuais e futuros, já que acreditamos na fundamental importância da pré-formatação, quando necessária."
Além do crescimento do número de alunos, pode-se aumentar o lucro com a comercialização de produtos derivados dos programas. Roupas e acessórios podem ser adquiridos a preços de atacado com fornecedores e revendidos nas lojas das academias. Os 'uniformes' são bastante procurados pelos alunos e servem, mesmo que indiretamente, como forma de fidelização ao programa e, conseqüentemente, à academia. O maior fantasma para os programas pré-coreografados é a pirataria. A forma de combate tem sido a conscientização quanto a segurança e qualidade dos resultados dos originais e denúncias dos próprios alunos.
O mercado também abre espaço para a criatividade dos profissionais da área iniciarem seus negócios. Um exemplo é a Ginástica Natural. Composta por exercícios que combinam jiu-jitsu com ioga e lembram os movimentos de animais, a atividade desenvolvida por Álvaro Romano custa entre R$ 350,00 e R$ 450,00 (aproximadamente US$ 115 e US$ 150) ao mês e está em mais de 30 academias brasileiras. O Let's Boxe, com exercícios baseados nos fundamentos do boxe, criado por Luís Alvares, tem preço mensal de licenciamento variando entre R$ 1.000,00 e R$ 2.000,00 (aproximadamente US$ 330 e US$ 650).
Cida Conti classifica o Brasil como o país dos programas, vocação que se mostra latente em toda a América Latina. "Todos querem ter bons resultados e, sobretudo, lucro. Os programas apresentam uma relação de 'custo benefício' excelente. Além disso, os profissionais de fitness necessitam de orientação técnica permanente e penso que este papel não é de competência exclusiva das universidades. Na Fit.Pro, provemos formação e informação permanente para que nossos professores licenciados possam estar devidamente preparados para as aulas." Paulo Akiau arremata. "Na Body Systems, temos orgulho em dizer que mais do que um bom negócio, sabemos para que servimos, defendendo nossa missão até embaixo d´água: 'Proporcionar experiências inesquecíveis, a toda hora, em qualquer lugar'. Isso, aliado a trabalho duro, honestidade, perseverança e alegria, não poderia nunca falhar."