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IHRSA - Jul 2004 FBLA OutdoorP
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Oferecer atividades outdoor é garantia de satisfação para o aluno, fidelização e lucros

"Ultrapassar os limites. E ir além". A frase pode se encaixar em diferentes situações, tanto profissionais como pessoais. Para a indústria do fitness também significa transpor paredes e explorar o mundo. Opções de atividades físicas outdoor não faltam. Desde esportes radicais como escalada, rapel, rafting, corrida de aventura e surfe, até a mais democrática de todas, a corrida de rua. Tirar os alunos do conforto da academia é semear um campo cada vez mais fértil. A colheita traz maior identificação cliente/academia, sociabiliza o grupo, aumenta o índice de fidelidade e ainda dá visibilidade à marca.

Investir em esportes outdoor vem da necessidade crescente de manter alto o nível de satisfação dos clientes. A concorrência é cada vez mais acirrada e quem consegue 'segurar' os alunos está em vantagem. Para isso, é preciso oferecer mais que boa estrutura, equipamentos de qualidade, profissionais de primeira e variedade de aulas. Quando o aluno sente-se valorizado com a oferta de alternativas em cenários diferenciados, como parques, montanhas, praias ou ruas, torna-se mais que um membro fiel. Passa a ser um defensor da academia.

Cada empreendimento busca alternativas que respondam aos anseios de seu público, seja por intermédio de pesquisas ou ouvindo sugestões. Uma das pioneiras no Brasil, a Bio Ritmo, rede com 8 unidades em São Paulo, detectou a preferência por atividades radicais em 1998, época em que houve um "boom" da modalidade no País. Foi criado o Bio Adventures, que promove atividades como rafting, canoying, entre outras, a cada dois meses. A academia, que atende 16 mil alunos, mantém ainda uma equipe de ciclismo (cerca de 60 participantes) que utiliza a aula de cycle indoor como preparação e nos finais de semana parte para percursos outdoor.

Segundo Rodrigo Garcia, da Bio Ritmo, as atividades outdoor são altamente rentáveis. "Esse tipo de ação aumenta a fidelidade do aluno, é uma forma de divulgarmos a marca e novos clientes acabam se integrando com a academia. Além disso, esses produtos têm um custo baixo e o maior objetivo é a satisfação dos clientes. Proporcionando a sociabilização, conseqüentemente haverá maior retenção. Com periodicidade nos programas, mantemos a satisfação em alta". O Bio Adventures conta com o apoio de uma operadora de turismo, além do grupo de professores. Do quadro de membros, 5% são assíduos participantes do programa.

Para Jorge Maruju, proprietário da BioTrip, operadora de ecoturismo, o acompanhamento dos professores promove maior interação. Segundo ele, é possível preencher os finais de semana com viagens sem grandes custos para empresas e clientes. "As academias estão procurando atividades diferenciadas e eventos externos aumentam o vínculo entre o aluno e a empresa.

A preferência é por viagens curtas, rodoviárias, quase sempre aos finais de semana. Esses fatores proporcionam um custo mais baixo e as pessoas se conhecem melhor, num lugar diferenciado."

Entre os esportes mais solicitados estão corrida de aventura, rafting, mergulho livre, rapel, mountain bike e caminhada. Dependendo do exercício ao ar livre, o aluno desembolsa uma verba extra. Maruju aconselha que as academias sempre tenham fotos dos eventos e divulguem internamente, pois, assim, atraem novos participantes e os alunos podem relembrar os bons momentos vividos.

Seguindo a tendência, a unidade da World Gym em Florianópolis (região sul do Brasil), tem programados 10 eventos outdoor para a temporada 2004, de trilhas ecológicas a cavalgadas noturnas, além das tradicionais gincanas de verão e inverno. A academia sempre busca patrocínios para minimizar os gastos extras dos alunos. "Um dos grandes problemas da alta rotatividade é a falta de relacionamento. As pessoas chegam com a meta de condicionamento físico, porém, é preciso criar relações sociais para ficar. E esses eventos auxiliam na sociabilização", garante a coordenadora geral da World Gym, Sandra Spiller. Dos 750 alunos, 15% participam dos exercícios ao ar livre. Outro objetivo com esse tipo de ação é que os convidados possam conhecer melhor a infra-estrutura, tornando-se potenciais clientes.

O Eco Walking é a opção da Megatlon, da Argentina. Dirigida a um público maior de 18 anos, alunos ou não, a atividade acontece em uma reserva ecológica e é dividida em dois grupos: iniciante (6km) e avançado (8km). Após a caminhada, que geralmente reúne 90 participantes, há uma aula localizada. A gerente geral da unidade Congreso, Valeria Traba Pini, única das nove existentes no país que promove o evento, garante que há planos de novas atividades outdoor. "A caminhada surgiu da grande necessidade de nossos alunos de realizar exercícios ao ar livre. É uma ferramenta que sociabiliza e causa integração na academia", comenta.

Os exemplos de investimento na América Latina começam a aumentar. A mexicana SportCity tem sua corrida anual. Em 23 de maio, promoveu a segunda edição da prova e reuniu mais de 2 mil participantes (em 2003 foram 1.200 corredores). A Go Fitness & Spa, do Chile, organizou, em agosto de 2003, o primeiro Trekking Go.

Outro caminhoé a parceria. É o caso da Reebok Sports Club, que conta com um grupo de corrida de 100 integrantes orientados pela MPR Assessoria Esportiva. "Cada um tem que ser especializado num setor. A academia é especialista em atividades indoor. O Marcos Paulos Reis (proprietário da MPR) tem grande experiência e estrutura outdoor. Com a parceria, dobrou a participação em corrida", comenta o diretor-presidente da Reebok Sports Club, José Marfará.

Marfará apostou na corrida por considerar um esporte muito popular e que não é concorrente da academia, tornando-se mais uma opção para os alunos.

Sidney Togumi, diretor da UpFit Assessoria Esportiva, garante que o "aventureiro" carece de treinamento específico para enfrentar os diferentes tipos de esporte e guias especializados para que não sofra lesões. Tudo isso amplia ainda mais o campo de ação dos profissionais de Educação Física. Segurança é uma palavra que não pode, nunca, ser negligenciada em atividades externas.

Togumi aconselha a indústria do fitness a, cada vez mais, oferecer o serviço completo, mesclando treinamentos indoor com atividades ao ar livre. "É claro que a grande vantagem dessa ação é fidelização, porém outro aspecto é muito importante, o marketing. Alunos fora das fronteiras da academia com a marca são divulgação pura."

É preciso ter sensibilidade e conhecer bem o público para escolher, e acertar, nas modalidades a serem implantadas. A Estação do Corpo, do Rio de Janeiro, implantou, em março do ano passado, o programa de treinamento para corridas. "Havia muitos alunos que já participavam de corridas, só que de forma desorganizada. Agora estruturamos o programa, montamos um calendário de treinamentos outdoor e indoor, com profissionais especializados. Para todas as atividades temos patrocínio e isso é vantajoso, já que não temos que repassar o custo aos clientes. É mais um meio de satisfação", afirma Guilherme Borges, gerente de marketing.

Cada vez mais, empresários da indústria do fitness latino-americana percebem que o investimento em atividades extras apresenta retorno garantido. Transportar o aluno além dos muros da academia é ampliar horizontes. É crescer em um mercado competitivo e que cobra ações criativas e eficientes. É uma constante escalada, uma corrida de aventura, rumo ao sucesso.








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